Medicina regenerativa abre nova perspectiva para pacientes com Parkinson
Dra. Roussiane Gaioso, neurologista cooperada da Unimed Goiânia, explica o potencial das células-tronco no tratamento da doença, mas alerta que ainda não está disponível na prática clínica e qualquer oferta comercial desse tipo deve ser vista com cautela, pois pode colocar o paciente em risco
Por décadas, tratar o Parkinson significou aprender a conviver com os sintomas, e não revertê-los. Hoje, esse cenário começa a mudar. "A medicina regenerativa deve transformar o tratamento do Parkinson nas próximas décadas. As pesquisas apontam para a possibilidade de repor neurônios dopaminérgicos, modular a inflamação cerebral e até editar genes relacionados ao risco da doença", explica a neurologista cooperada da Unimed Goiânia, Dra. Roussiane Gaioso.
No Brasil, surgem cerca de 36 mil novos casos de Parkinson por ano, e estima-se que o número de brasileiros com a doença possa chegar a mais de 600 mil até 2030, impulsionado pelo envelhecimento da população. Em escala global, em 2021 cerca de 11,3 milhões de pessoas viviam com a doença, e a previsão é de que esse número chegue a 25,2 milhões em 2050, um aumento de 112%, segundo estudo publicado na revista The BMJ. Apesar dos tratamentos disponíveis, nenhum deles interrompe a progressão da doença, e é nesse cenário que a terapia com células-tronco desponta como uma das frentes mais acompanhadas pela neurologia mundial.
O que são células-tronco e por que elas interessam ao Parkinson?
O Parkinson é causado pela degeneração progressiva dos neurônios dopaminérgicos, células responsáveis pela produção de dopamina, o neurotransmissor que coordena os movimentos do corpo. Sem dopamina em quantidade suficiente, surgem tremor, rigidez muscular, lentidão de movimentos e instabilidade postural.
"Células-tronco são células capazes de se transformar em diferentes tipos de tecido, incluindo neurônios. No Parkinson, elas têm sido estudadas porque podem originar novos neurônios dopaminérgicos, justamente as células que degeneram na doença. A ideia é que, no futuro, seja possível substituir ou regenerar parte desse sistema, algo que os tratamentos atuais ainda não conseguem fazer", explica Dra. Roussiane Gaioso.
Os medicamentos disponíveis hoje, como a levodopa, e procedimentos como a estimulação cerebral profunda aliviam os sintomas, mas não alteram o curso biológico da doença. "Os tratamentos atuais aliviam sintomas, mas não impedem a progressão. Já a terapia com células-tronco tem o potencial de restaurar a função neuronal perdida, oferecendo um benefício mais duradouro", aponta a neurologista.
Apesar do avanço, a neurologista explica que o uso de células-tronco para Parkinson ainda não está disponível na prática clínica e que qualquer oferta comercial desse tipo deve ser vista com cautela, pois não é regulamentada e pode colocar o paciente em risco. "Não é uma solução imediata, mas o avanço é consistente. O futuro aponta para terapias mais personalizadas, com potencial de modificar o curso da doença, e não apenas de controlar seus sintomas. E isso, para quem vive com Parkinson, muda tudo", conclui.

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