Consórcio cresce como alternativa em cenário de juros altos no Brasil
Com a taxa Selic em patamares elevados e o crédito bancário mais caro, o consórcio tem ganhado espaço entre brasileiros que buscam planejamento financeiro para adquirir bens ou investir em projetos pessoais. A modalidade tem sido utilizada principalmente para compra de veículos, imóveis, construção da casa própria e até abertura de pequenos negócios, oferecendo parcelas sem cobrança de juros tradicionais, apenas com taxa de administração.
Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios mostram que o setor registrou recordes históricos em 2025, ultrapassando R$ 500 bilhões em créditos comercializados, crescimento de 32,1% em relação ao ano anterior. O número de participantes ativos também cresceu e chegou a 12,76 milhões de brasileiros.
Segundo Eurípedes Silveira Neto, especialista e licenciado das unidades Ademicon Ricardo Paranhos e Jardim Goiás, o avanço do consórcio está diretamente ligado ao atual cenário econômico. “Com os juros elevados, muitas pessoas passaram a enxergar o consórcio como uma alternativa mais estratégica para planejar aquisições de médio e longo prazo. É uma modalidade que exige organização financeira, mas pode trazer vantagens importantes para quem não tem urgência imediata”, afirma.
No segmento imobiliário, por exemplo, o crescimento foi um dos mais expressivos. Segundo a ABAC, as vendas de cotas de imóveis cresceram mais de 36% em 2025. Já o setor de veículos segue liderando o volume de adesões no país.
Eurípedes destaca que o consórcio também tem sido procurado por pessoas que desejam investir, ampliar patrimônio ou até iniciar pequenos negócios. “Muitos clientes utilizam a carta de crédito como ferramenta de planejamento. Hoje há quem busque o consórcio para construir, reformar, investir em imóveis ou até capitalizar projetos pessoais e empresariais”, explica.
Além da procura crescente, especialistas recomendam atenção antes da contratação. É importante avaliar o valor das parcelas, reajustes anuais, taxa administrativa, prazo do grupo e média de contemplação por sorteio ou lance. Em um consórcio de imóvel de R$ 300 mil, por exemplo, as parcelas podem variar entre R$ 1,5 mil e R$ 2,5 mil mensais, dependendo do prazo e das condições do grupo. Já em cartas de crédito para veículos de R$ 80 mil, as prestações costumam partir de cerca de R$ 900 mensais.
Outro ponto destacado por especialistas é que o consórcio funciona melhor para quem consegue manter disciplina financeira. Diferente do financiamento, a carta de crédito pode demorar a ser contemplada, exigindo planejamento e organização do orçamento familiar.
Com a expectativa de manutenção dos juros elevados ao longo de 2026, a tendência é de continuidade no crescimento do setor. A própria ABAC projeta expansão de até 11% para este ano, impulsionada principalmente pelos segmentos de imóveis e veículos.

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