A urgência da proteção de dados na era dos vazamentos em massa
A automação no preenchimento de informações se tornou uma praticidade da atualidade. Mas será que esse compartilhamento de dados não gera um risco? A preocupação com a privacidade digital ganha até uma data voltada para isso, o Dia Internacional da Proteção de Dados, 28 de janeiro. A frequência e a escala dos vazamentos em massa — especialmente pelas grandes empresas de tecnologia (big techs) — evidenciam a fragilidade de muitos sistemas de segurança.
No Brasil, os casos não são exceção, segundo a Surfshark, 84,6 milhões de contas de usuários foram comprometidas em 2024, posicionando o país como o 7º mais afetado globalmente. Nos últimos meses, diferentes incidentes reforçaram a urgência da proteção de dados. No início de 2025, o Banco Central confirmou o primeiro vazamento do ano envolvendo chaves Pix, após “falhas pontuais” nos sistemas da QI SCD S.A., que expuseram informações pessoais não sensíveis, mas acenderam o alerta sobre a segurança das transações digitais no país.
No cenário internacional, a OpenAI também reconheceu uma nova violação de segurança, na qual e-mails, nomes e localizações aproximadas de usuários da API foram expostos — embora conteúdos de conversas, credenciais financeiras, documentos e senhas tenham permanecido protegidos. Os dois episódios evidenciam como mesmo grandes instituições e empresas de tecnologia estão vulneráveis, mostrando que falhas isoladas podem gerar repercussões amplas em um ecossistema cada vez mais dependente de dados.
De acordo com o relatório “Cost of a Data Breach” da IBM, divulgado em 2025, uma violação de dados no Brasil custa em média R$ 7,19 milhões para as organizações envolvidas, com empresas dos setores de saúde, finanças e serviços sendo as mais impactadas. Além disso, um estudo da Acronis aponta que 64% dos consumidores globais estão entre os que mais temem vazamentos, e os brasileiros aparecem como particularmente atentos: 82% dizem usar senhas fortes e mais de um terço verifica a segurança dos sites antes de compartilhar dados pessoais.
Cuidados na rede
Para Daniel Gomes de Oliveira, coordenador do curso de análise de sistemas e ciências da computação da Estácio Goiás, a data reforça o tema para que empresas, governos e usuários repensem suas estratégias de proteção digital. “Estamos em um momento de grande conectividade. O volume de dados sensíveis gerados, armazenados e compartilhados cresce a cada dia, mas a infraestrutura de proteção ainda não acompanha essa demanda. Vazamentos repetidos demonstram que muitas organizações subestimam os riscos ou não têm políticas robustas de segurança”, alerta.
O docente ainda chama a atenção para os impactos humanos dessa negligência tecnológica. “Quando os dados pessoais vazam, o dano vai além do financeiro, existe um prejuízo à reputação, risco de fraude de identidade, golpe cibernético direcionado, além de perdas de confiança. Isso mina a relação entre as pessoas e as plataformas digitais”, argumenta.
Além de orientar sobre políticas de proteção, Daniel reforça a necessidade de educação digital. “Usuários precisam entender também que proteção de dados não é só responsabilidade das empresas. Como cada pessoa usa senhas, ativa autenticação de dois fatores e gerencia suas informações faz parte da proteção coletiva”, aponta.
Daniel também indica que é necessária uma importância para a regulamentações eficazes. “A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), ou Lei nº 13.709/2018, no Brasil é um passo fundamental, mas ainda precisamos de fiscalização ativa, sanções reais e mais investimento em infraestrutura de segurança. A tecnologia evolui rápido, e a legislação e as práticas de proteção devem acompanhar esse ritmo”, finaliza.

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