Universitários de Goiânia vão à final do Desafio Liga Jovem Sebrae, em Belém, com coleta e venda de recicláveis e aplicativo para ajudar abrigos de animais
Projeto de estudantes da Unialfa transforma resíduos recicláveis em recursos voltados ao bem-estar animal e representa Goiás durante o Festival LED - Luz na Educação
Goiânia vai ser representada na final nacional do Desafio Liga Jovem Sebrae (DLJ) com um projeto que nasceu de indignação, virou pesquisa, ganhou estrutura de negócio e agora desponta como uma solução de impacto social para a capital e também para a Região Metropolitana. O projeto ReAbrigo, desenvolvido pela equipe de mesmo nome, formada por estudantes do Centro Universitário Alves Faria (Unialfa), é finalista na categoria Ensino Superior e leva o nome de Goiás para Belém (PA) de 29/11 a 04/12, durante a premiação final do DLJ, que acontece em meio à programação do Festival LED - Luz na Educação.
A iniciativa representa mais que um projeto promissor e mostra, na prática, o alcance do trabalho realizado pelo Sebrae Goiás ao fomentar competências empreendedoras, estimular metodologias de inovação e criar ambientes onde jovens transformam problemas em soluções relevantes.
O projeto, vencedor da categoria na etapa estadual do Desafio Liga Jovem, foi criado por um grupo de jovens universitários que estudaram juntos desde o ensino médio técnico no Senai: Bárbara Xavier Alves, Esthefany Duarte Dias, João Marcos Andrade Luzini e Matheus de Oliveira Porto. Depois de passarem por desafios e competições de inovação, eles seguiram para a mesma faculdade e decidiram montar um time para enfrentar uma dor conhecida por quem vive na capital: a sobrecarga dos abrigos de animais, agravada pelo abandono, pela falta de recursos e por uma rede de doações que costuma ser irregular e pouco estruturada. “Quando conversávamos com cuidadores, a frase era sempre a mesma: as campanhas ajudam por uma semana e morrem. As doações não têm continuidade. As pessoas querem ajudar, mas não existe estrutura”, conta Bárbara, líder da equipe.
Eles mergulharam em dados e encontraram números alarmantes, como estimativas da Universidade Federal de Goiás (UFG) que apontam mais de 60 mil cães e gatos abandonados em Goiânia. Viram também como cuidadores adoecem emocionalmente pela exaustão e pela falta de apoio. A indignação inicial logo se transformou em pesquisa, entrevistas, visitas a abrigos e, aos poucos, em um modelo robusto. “A gente entendeu que ajudar exige método. Boa vontade não é suficiente. Precisávamos de algo contínuo, sólido e capaz de mobilizar toda a cidade”, conta a estudante.
Em poucas semanas, a equipe estruturou um sistema completo para dar sustentação permanente aos abrigos. O ReAbrigo prevê pontos de coleta distribuídos pela cidade para receber resíduos recicláveis, transformação desses resíduos em insumos e recursos para abrigos (alimentação, vacinas, castrações) e moeda social e crédito de carbono como mecanismos de incentivo. Também prevê processo de credenciamento dos abrigos para dar transparência e segurança às doações, uma lógica de economia circular, conectando empresas, escolas, igrejas, moradores e poder público e desenvolvimento de um aplicativo que concentra a gestão de toda a operação.
O professor Fábio Bezerra Coelho, orientador da equipe, acompanha o grupo há anos. Ele foi professor dos estudantes no Senai e testemunhou a evolução deles até chegar ao ensino superior. “Eles se formaram comigo no técnico, participaram de vários eventos de inovação e foram crescendo juntos. Hoje trabalham, estudam e empreendem lado a lado. O ReAbrigo é reflexo de uma maturidade que vi surgir desde lá atrás”, afirma.
Impacto que transforma
Segundo Fábio, se o ReAbrigo fosse implementado amanhã, os jovens acreditam que Goiânia sentiria os efeitos rapidamente. Haveria redução significativa da fome nos abrigos, aumento de animais castrados e vacinados, mais adoções e diminuição de resíduos sólidos. “É algo que atinge animais, cuidadores, escolas, empresas, toda a comunidade. É uma mudança perceptível de cultura”, explica. O projeto cria um modelo escalável, capaz de crescer para a Região Metropolitana e de se tornar uma empresa social. “Independentemente do resultado da final do Desafio, queremos formalizar o ReAbrigo. É um projeto de vida”, reforça o professor.
Para Bruna Maia, gestora do Programa Educação Empreendedora no Sebrae Goiás, o DSJ é um diferencial para estudantes e instituições de ensino. “O Desafio Liga Jovem é sempre uma oportunidade transformadora para estudantes desenvolverem projetos com propósito, aliando criatividade, inovação e empreendedorismo. Em 2025, os participantes vivenciam uma jornada rica em trilhas formativas, mentorias, prática real e prêmios valiosos”, afirma.
Para Alice Galvão, analista que atua no Educação Empreendedora, a presença do estado na final do DLJ mostra que o programa tem gerado frutos concretos, sendo executado nacionalmente pelo Instituto Ideias de Futuro, enquanto o Sebrae realiza mobilização, incentivo e acompanhamento das equipes dentro dos territórios. “Nosso papel é mobilizar as instituições, engajar os estudantes e acompanhar as equipes ao longo da jornada. Ver um grupo goiano chegar à final mostra que a base está funcionando. Temos jovens comprometidos, instituições engajadas e um ecossistema que acolhe inovação”, afirma Alice.
A final nacional reúne projetos das 27 Unidades da Federação e contará com análise pela banca final, visitas técnicas, premiações, experiências formativas e painéis com nomes de referência nacional. O anúncio dos vencedores será no dia 02/12 no palco do Festival LED. Goiás também é representado com dois outros projetos, nas categorias Ensino Fundamental e Ensino Médio, das cidades de Jussara (Oeste Goiano) e Aparecida de Goiânia (Regional Metropolitana), respectivamente.
Saiba mais sobre o DLJ: https://www.desafioligajovem.com.br/

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