Golpes digitais disparam em dezembro e colocam consumidores em alerta

 Golpes digitais disparam em dezembro e colocam consumidores em alerta

Criminosos aproveitam o 13° salário, o aumento das compras online e as promoções sazonais para aplicar fraudes com pix, sites falsos e ofertas enganosas


Isadora Costa, advogada especialista em Direito Criminal (Divulgação)


O mês de dezembro concentra o maior número de crimes cibernéticos ao longo do ano. Com o pagamento do 13º salário, o aumento das compras online e o volume de promoções de fim de ano, golpes envolvendo Pix, e-commerces falsos, anúncios manipulados e táticas de engenharia social se tornam mais frequentes e sofisticados. A combinação entre pressa, sensação de oportunidade e excesso de transações cria o ambiente ideal para a ação de quadrilhas digitais.


Sites que reproduzem a identidade visual de grandes varejistas, perfis falsos em redes sociais, ofertas muito abaixo do preço real e exigência de pagamento exclusivo via Pix estão entre as principais estratégias para atrair vítimas. Também se multiplicam golpes de falso suporte bancário, links maliciosos enviados por aplicativos de mensagens e campanhas fraudulentas que prometem cupons, brindes ou viagens gratuitas. A sofisticação das técnicas utilizadas permite simulações quase perfeitas de sites e canais de atendimento, dificultando a percepção das armadilhas.


A advogada criminalista Isadora Costa explica que a pressa típica do fim de ano aumenta a vulnerabilidade do consumidor, que na tentativa de aproveitar promoções ou encerrar rapidamente as compras, deixa de observar pontos essenciais, como o domínio do site, avaliações reais, divergências nos dados de pagamento ou ausência de informações básicas sobre a loja. “É fundamental checar a procedência das ofertas, desconfiar de descontos irreais, evitar clicar em links desconhecidos e nunca compartilhar códigos, senhas ou dados pessoais”, alerta. 


Isadora Costa ressalta que o aumento dos golpes digitais em dezembro está diretamente ligado à maior circulação de dinheiro e à falta de educação digital. “O Golpe do Pix é uma forma de estelionato que se aproveita dessa vulnerabilidade, utilizando engenharia social, links falsos, perfis adulterados e simulações quase perfeitas de suporte bancário para induzir o consumidor ao erro”, alerta. Segundo ela, o prejuízo não é apenas financeiro por gerar um impacto direto na confiança dos consumidores em relação aos sistemas de pagamento eletrônicos, que são seguros quando utilizados pelos canais corretos.


A advogada criminalista destaca que as novas regras do Banco Central, que entraram em vigor no dia 23 de novembro, representam um avanço importante nos mecanismos de segurança do Pix. “Agora será possível fazer um rastreamento completo do trajeto do dinheiro, mesmo após várias transferências, com isso o processo de devolução se torna mais eficiente e amplia as chances de recuperação de valores desviados”, pontua. Para a advogada criminalista, a ausência de cultura de segurança digital e a superexposição nas redes sociais criam um ambiente propício para golpes. 


Prevenção

Isadora Costa aponta algumas medidas práticas que podem ajudar a reduzir significativamente o risco de cair em um golpe digital. “Evitar acessar links recebidos por mensagens, seja por aplicativos de mensagens ou e-mail. O acesso deve ser feito exclusivamente pelo aplicativo oficial ou site verificado do banco. Vale lembrar que mensagens urgentes ou com erros ortográficos são indicadores claros de fraude”, orienta. 


A advogada criminalista também acrescenta que é necessário sempre confirmar a identidade de quem solicitar transferências em dinheiro. “Em caso de pedido de Pix por parte de familiares ou amigos, é indispensável ligar para o número da pessoa antes de enviar qualquer valor. E em caso de dúvida, entrar imediatamente em contato com o gerente ou com o canal oficial do banco”, completa.


Isadora Costa reitera que instituições financeiras jamais solicitam senhas, códigos de verificação ou autorizações remotas por telefone ou por mensagens enviadas ao celular. “Qualquer solicitação desse tipo é fraude. O cliente deve encerrar imediatamente a ligação e buscar atendimento pelo aplicativo oficial, pela agência ou pela central autorizada — nunca pelo número que realizou o contato”, sublinha.


A advogada ressalta que a orientação jurídica especializada também é fundamental para a vítima, já que o advogado auxilia na coleta de provas, nas comunicações oficiais e na busca por reparação. “Para o investigado, a defesa técnica garante respeito ao devido processo legal e análise rigorosa das provas. É um campo que exige cautela, informação e atuação responsável, tanto no âmbito jurídico quanto no comportamental”, observa.



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